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Mosteiro de São Martinho de Mancelos

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Mosteiro de São Martinho de Mancelos

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Morada

Lug. do Mosteiro

Lugar: Mosteiro
Freguesia: MANCELOS
Concelho: AMARANTE


4605-137

Telefone
+351 255 810 706
Telemóvel
+351 918 116 488
Latitude
41.27492954582738
Longitude
-8.157222950775008

O Mosteiro de Mancelos ergue-se nas proximidades de Amarante e nos limites da diocese do Porto, num lugar onde ainda hoje prevalece a agricultura como principal atividade. Desde sempre, e particularmente na Idade Média, que os mosteiros se mostraram muito atraídos pelos férteis terrenos agrícolas, daí advindo a sua principal subsistência. E estes, tanto melhores se mostravam se permitissem a prática da pastorícia e se, nas suas proximidades, possuíssem bosques para o fornecimento da tão fundamental madeira.

Conforme dados da Bula de Calisto II (p. 1119-1124), este cenóbio já existia pelo menos em 1120, pelo que a sua fundação é, com certeza, anterior, coincidindo com o período de vida de Garcia Afonso e Elvira Mendes, primeiros da linhagem dos Portocarreiros.

Foi aos descendentes destes, nomeadamente aos Fonsecas, que Mancelos passou como padroado e espaço eclesial familiar, verdadeiro paradigma das igrejas próprias. Efetivamente no século XIV são em número impressionante os familiares deste Mosteiro, que nele reclamavam direitos.

Este Mosteiro acaba por ser assim, um bom testemunho das estratégias privadas de fundação de estruturas monásticas, mais preocupadas com o domínio territorial do que com a criação de polos difusores de evangelização, daí que a cronística dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho desconheça em quase absoluto a história da fundação desta casa monástica.

Em 1540 D. João III doou Mancelos aos religiosos de São Gonçalo de Amarante, o que o papa Paulo III (p. 1534-1549) confirmou dois anos mais tarde. Mancelos tornar-se-á a partir de então um polo da ação administrativa e evangelizadora dos Pregadores amarantinos, tornando-se um dos complexos monásticos mais importantes daquela Ordem, em Portugal.

Hoje, Mancelos destaca-se pela variedade de estruturas que lhe dão corpo, desde a galilé ladeada por torre isenta, passando pela área do antigo claustro e, como não poderia deixar de ser, a sua interessante Igreja.

Embora tenha sofrido diversas transformações ao longo dos séculos, a Igreja conserva significativas parcelas da época românica. A existência de uma inscrição gravada num silhar avulso, que ainda hoje se conserva no espaço onde outrora se erguia o claustro, junto da sacristia, remete-nos para o ano de 1166 (Era 1204).

Apesar desta inscrição nada nos indicar sobre a natureza do evento comemorado, além de que se encontra descontextualizada, a verdade é que a sua qualidade epigráfica leva a crer que reporte a um qualquer momento importante da história do Mosteiro, porventura a sagração ou a dedicação da obra românica. Não nos podemos esquecer que o Mosteiro já estava datado em 1120.

No interior, apenas o arco triunfal permanece como elemento remanescente da época românica, apesar de os seus capitéis se mostrarem hoje picados, pois a época moderna sobrepôs-lhes elementos entalhados que as intervenções de restauro do século XX removeram. As arquivoltas não têm qualquer decoração e a imposta é idêntica à do portal principal.

Da campanha barroca resta apenas o retábulo-mor joanino e que ocupa toda a parede fundeira da abside. Entre as colunas, quatro mísulas com as imagens do padroeiro (São Martinho de Tours), de São Francisco de Assis e dos santos dominicanos, São Domingos de Gusmão e São Gonçalo de Amarante. São esculturas datáveis entre a segunda metade do século XVII e a segunda metade do século XVIII.

Na nave, dois altares colaterais e um lateral albergam devoções contemporâneas representadas por modernas imagens: Virgem do Rosário de Fátima, Sagrado Coração de Jesus e Virgem das Dores.

A pintura assume um importante papel em Mancelos devido ao grande acervo disperso pelo espaço eclesial. Das cinco pinturas sobre madeira de castanho, destacamos o mártir São Sebastião, desnudo e sagitado; a Virgem do Rosário envolta numa orla amendoada formada por rosas, com o Menino ao colo; São Martinho em cátedra e a representação de frei Bartolomeu dos Mártires, cuja biografia nos informa ter estado particularmente ligado à edificação do convento de São Gonçalo para o qual contribuíram os réditos de Mancelos.

Há, ainda, uma em tela de linho e que parece retratar a cena do milagre vulgarmente designado como São Domingos é servido à mesa por anjos, adotando como modelo para a composição a cena da Última Ceia, acentuando o papel que Domingos procurou assumir ao longo da sua vida como imitador de Cristo.

Mais informações:

www.rotadoromanico.pt