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Associação de Municípios do Baixo Tâmega desenvolve projecto ímpar para a Serra da Aboboreira.
A Serra da Aboboreira, comum a três dos seis concelhos da AMBT, sempre foi vista como uma mais valia patrimonial e ambiental a respeitar e valorizar, quer por parte dos edis, quer pelas populações.

Reunindo-se um conjunto de condições favoráveis, entre as quais a vontade conjunta dos três responsáveis máximos dos municípios que a partilham, iniciou-se um projecto ambicioso, mas capaz de alavancar todas as potencialidades afectas a esta zona do Baixo Tâmega.

Enquanto elemento central da identidade de um território, o património natural e cultural assume-se actualmente como factor de distinção, e a sua preservação e valorização constituem um paradigma central das estratégias de desenvolvimento do território e de incremento da sua competitividade. Diversos estudos e iniciativas visando a sua salvaguarda e valorização permitiram definir um enquadramento paisagístico de elevado valor natural e cultural. No entanto, o recente estudo do marketing da promoção do Baixo Tâmega destaca a “falta de produção de conhecimento sobre o património do território” como um constrangimento à organização de produtos de turismo. Neste contexto, é evidente a necessidade de uma visão abrangente que considere as actuais dinâmicas e pressões que recaem sobre o mundo rural, com vista à melhor compreensão e necessária valorização da Paisagem Cultural e Natural do Baixo Tâmega.

O presente estudo terá a duração de um ano e será desenvolvido em duas fases sequenciais, correspondendo a outras tantas escalas de análise. A área a estudar durante a primeira fase do projecto corresponderá à totalidade dos concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses. Em resultado dos estudos a desenvolver na primeira fase, será seleccionada uma área menor para a realização de estudos de pormenor (segunda fase).

1ª Fase: Caracterização e valoração gerais, e delimitação de área para estudos de pormenor

1. Recolha e integração de cartografias temáticas e outras bases de dados
• Desenvolvimento de cartografia original de ocupação e uso do solo, dos principais riscos naturais e do património cultural;
• Inventariação e cartografia de valores culturais e naturais excepcionais (espécies endémicas e/ou raras da flora e da fauna, habitats classificados, património geológico e hidrogeológico, mosaicos paisagísticos de elevado valor ecológico e agro-ecológico);
• Identificação e quantificação de serviços ambientais e culturais (produção, suporte, regulação) com vista à sua integração em bases cartográficas operacionais;
• Integração de cartografias temáticas e outras bases de dados em Sistema de Informação Geográfica;
2. Zonagens multi-critério de valor relativo
• Definição de critérios de avaliação do interesse patrimonial dos bens naturais e culturais inventariados assim como dos elementos paisagísticos e culturais com maior interesse de preservação e divulgação;
• Definição e cartografia de zonagens de valor relativo tendo por base uma hierarquização dos critérios definidos anteriormente.

3. Identificação de áreas de maior valor e definição de área de trabalho para estudos de pormenor (2ª fase)
• Cruzamento de zonagens de valor relativo e desenvolvimento de zonagens multicritério de valor;
• Identificação de áreas de maior concentração de valores naturais e culturais.
• Delimitação de área de trabalho para estudos de pormenor (2ª fase).

2ª Fase: Estudos de pormenor e perspectivas de valorização territorial

I) DIAGNÓSTICO
• Realização de levantamentos detalhados de valores patrimoniais na área delimitada na 1ª fase e aperfeiçoamento de zonagens de valor em função dos novos dados;
• Contextualização dos valores identificados em diversas escalas (regional, nacional e internacional);
• Realização de levantamentos biológicos dirigidos à influência da biodiversidade no funcionamento da paisagem e à identificação de bio indicadores de condições e alterações ambientais;
• Realização de levantamentos culturais e etnográficos com ênfase no conhecimento agro-ecológico tradicional e as suas manifestações materiais e imateriais no contexto das paisagens culturais do território, incidindo tanto nos locais directamente relacionados com as actividades agro-pastoris, como nos espaços públicos e de habitação em meio rural, com especial relevo para as aldeias serranas;
• Identificação de potencialidades de valorização cultural, ambiental e económica da área, e restrições a essa valorização.

Contextualizado por numerosos antecedentes, o presente estudo interdisciplinar tem como objectivos catalogar, cartografar e valorar o património cultural e natural da Serra da Aboboreira e territórios circundantes nos municípios de Amarante, Baião e Marco de Canaveses, com o intuito de avaliar, numa abordagem multi-dimensional, o interesse estratégico da criação de uma área classificada, enquanto factor de competitividade territorial. Assim, o presente estudo contribuirá para uma gestão pró-activa de uma parte do território do Baixo Tâmega com grande significado patrimonial, apoiada num modelo de desenvolvimento e numa estratégia, potenciando a articulação entre projectos e iniciativas de valorização e promoção com incidência no território.

Assim, constituem sequencialmente objectivos específicos do estudo:
1) Integrar, em base de dados georreferenciada (Sistema de Informação Geográfica), a informação existente, e a obter, sobre o património natural e cultural do território;
2) Valorar, nos contextos regional, nacional e internacional, o património natural e cultural da região;
3) Avaliar, numa abordagem multi-dimensional (ambiental, económica, social) o interesse de uma eventual classificação e delimitar uma área a classificar;
4) Definir objectivos de gestão que norteiem uma estratégia de valorização do património natural e cultural, incluindo a definição de valências e organização de uma estrutura física e humana de apoio à investigação, conservação e divulgação dos principais valores.

Os resultados previstos do projecto serão:

I) GESTÃO DO TERRITÓRIO E DO PATRIMÓNIO
• Inventários actualizados e georreferenciados do património cultural, natural, etnográfico e agro-ecológico da região;
• Cartografia actualizada de ocupação e uso do solo, e dos principais riscos naturais, para a totalidade da área dos três municípios;
• Zonagens de valor para apoio à decisão técnica e política, baseadas no património natural e cultural, no potencial de prestação de serviços ambientais (gestão de riscos naturais) e culturais;
• Sistema Georreferenciado de Informação e Gestão Ambiental e Cultural para apoio à decisão técnica e política.

II) DELIMITAÇÃO E GESTÃO DE ÁREA(S) A CLASSIFICAR
• Listagem e cartografia de áreas excepcionais, identificadas e delimitadas em função da ocorrência de valores singulares ou da particular concentração de valores naturais e culturais;
• Diagnóstico do interesse estratégico da classificação (incluindo definição do estatuto adequado) da(s) área(s) antes delimitada(s) e da criação de estruturas físicas e humanas de apoio à gestão e valorização do património natural e cultural;
• Bases para estratégia de valorização ambiental, cultural e económica dos valores patrimoniais, conciliando a salvaguarda dos principais valores com a sua promoção e com os novos paradigmas do desenvolvimento rural.

Assim, as entidades, as valências e os especialistas ligados a cada área científica do projecto são:

 

Universidade do Porto

 

Património biológico

 

J. Honrado

Agro-ecologia e etnografia rural

J. Tereso

Agricultura

 

M. Cunha

Rios e qualidade da água

 

N. Formigo

Geologia

 

A. Lima

Hidrogeologia

J. Espinha

Instituto Politécnico de Viana do Castelo

 

Sistemas ambientais e território

J. Alonso

UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

 

Património Florestal, recursos genéticos animais

J. Bento

 

 

Arqueologia e Património, Lda.

Património Cultural

 

Consultores

F. Álvares (UP)

F. Pedrosa (UP)

M. Nunes

P. Santos (UP)

T. Andresen (UP)

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